«Longa espera» de FJ Sanz, una esperançosa história paranormal

Tempo de leitura: 5 minutos.
Comprimento de impressão: 3 páginas.

— É difícil esperar, não é?

— Desculpe, como?

— A espera. Nunca é agradável.

O zumbido da máquina de refrigerantes era a única constante naquele corredor iluminado por fila após fila de lâmpadas fluorescentes.

— Não, asuponho que não. Desculpe, não a ouvi chegar. Estava…

— Sim, a pensar. Absorvido nas suas próprias coisas. Vi-o sentado sozinho e ocorreu-me que talvez pudessemos fazer companhia um ao outro enquanto notícias chegavam. Confio não ser um incômodo para si.

— Não, bem… Duvido que neste momento seja capaz de lhe oferecer uma conversacão agradável.

— É o de menos. É suficiente evitar que a espera seja tão solitária.

Ao seu gesto, ela sentou-se, deixando amplo espaço entre eles.

— Está aqui há muito tempo?

— Não sei dizer. Suponho que sim.

— Compreendo. Eu estou aqui pelo meu pai, ele tem um coração fraco. Viemos aqui tão frecuentemente que penso conhecer todo o pessoal médico do andar pelo nome. Quem está lá dentro?

— Á minha mulher, Claire. Está a sofrir muito.

— Lamento, de verdade. — Estava prestes a dizer mais alguma coisa, quando ele falou.

— Por vezes…

— Sim? Por favor, continue.

— É complicado. Por vezes não sei o que preferia, que ela continuasse a lutar ou que desistisse e acabasse com tudo isto. Sinto que sou egoísta por pensar assim.

— Não é egoísta desejar o fim do sofrimento de alguém, especialmente se trata de um ente querido. Há alturas em que o apego à vida já não faz sentido. Tanto para a pessoa que está a sofrir como para aqueles que estão à sua volta. Não há nada de mal em desejar um pouco de paz…

— Pensa da mesma maneira a respeito do seu pai?

Ela sorriu.

– O meu pai é um velho teimoso que não ficará satisfeito até ter-nos enterrado a todos. Ele ainda tem muitos combates pela frente. Mas quando chegar o momento, pois terá de chegar, beijá-lo-ei na sua cabecinha dura, e desejar-lhe-ei uma viagem feliz.

Ficaram em silêncio quando um enfermeiro passou à frente deles. Lançou-lhes um olhar de curiosidade e abanou a cabeça antes de desaparecer por uma porta no final do corredor.

— Quero agradecer-lhe — disse ele, após alguns momentos.

— Por que razão?

— Por me ajudar a vê-lo de forma diferente. Não que isso torne mais fácil de aceitar, mas pelo menos agora sinto que un enorme peso foi tirado dos meus ombros.

— Fico feliz por isso —sorriu ela.

— Posso perguntar o se nome? Eu chamo-me Curt.

— July.

— Então obrigado, July.

— Não há de que, Curt.

O som da porta atraiu imediatamente a atenção deles.

— Parece que acontece alguma coisa — indicou July.

— Sim — respondeu ele deixando o seu lugar. — Chegou o momento.

Um brilho azul-prateado pálido inundou gradualmente o corredor com luz até eclipsar a luz das lâmpadas fluorescente. Na sua origem, apareceu a silhueta de uma mulher. No início confusa, os seus lábios abriram-se num largo sorriso ao reconhecer o homem que esperava, expectante, por ela.

— Curt…

— Minha querida Claire…

Enxugando as lágrimas que corriam pelo seu rosto, Julho assistiu, fascinada, aquela reunião tão demorada. Ainda nos braços um do outro, as duas figuras se confundiram até finalmente desaparecerem naquela auréola de tranquilidade.

– Tenham uma boa viagem, Curt e Claire.

Arrebatada pela sensação de alegria que continuava a nublar os olhos dela, a mulher ficou um longo tempo com o olhar perdido para o teto daquele andar do Hospital Saint Martin.

— O quê, July? — perguntou o ordenança, que voltava agora das suas rondas. — Mais um dos seus pequenos trabalhos?

– Olá, Sam — cumprimentou carinhosamente o grande homem. — Sim… e este acabou bem.

Sinopse

Acontecimentos estranhos ocorrem nos corredores de um hospital. «Longa espera» é uma história paranormal que nos coloca em contacto com o Outro Lado. Escrito por FJ Sanz, autor de ficção.


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