“Morte sob as águas” de FJ Sanz, um relato paranormal

Tempo de leitura: 6 minutos.
Comprimento de impressão: 4 páginas.

— Vá lá, Binnie. Largue isso. É ele?

— Conseguimos, chefe.

— Sim! — proclamou Tupler, apertando o punho.

Finalmente, uma vitória. Estava farto de andar às cegas depois de todos aqueles desaparecimentos. Desde o início compreendeu que nenhuma das jovens mulheres seria achada com vida, mas pelo menos tinha de evitar que desaparecessem mais.

— Jonathan Mathews Crimble, 34 anos. De Simsbury, Connecticut — continuou o sargento O’Leary. O cara encaixava no perfil como uma luva. E a descoberta dum barco registado em seu nome foi a cereja do bolo.

Tupler deixou-lhe guiá-lo até à lancha que o esperava na doca. Uma vez esteve a bordo, respondeu às saudações dos guarda-costas com o seu habitual aceno de cabeça e encorajou-os a ligar os potentes motores diesel. Queria chegar lá o quanto antes.

— Conte-me mais.

Binnie O’Leary acenou, consultando entusiasmado as anotações do seu caderno.

— Descobrimos que amarrava aqui, em Venice. Os trabalhadores portuários informaram-nos que o barco não estava atracado na doca alugada. Por isso, tivemos de alertar a Guarda Costeira, que prontamente o localizou. Olha, é esse mesmo.

Tupler voltou-se para olhar a embarcação. Ele sabia de automóveis, não de barcos. Não compreendia de comprimentos sem nada dessas coisas. Um barco era um barco, ponto final. E aquele tinha sido usado por um assassino para se livrar das suas vítimas.

— Quando a patrulha se aproximou, ninguém a bordo respondeu. Então, subiram. E, chefe, adivinhe o que eles encontraram. Bem, quem não encontraram.

— Pare com os enigmas, Bennie — resolveu Tupler com impaciência. — Ao assunto.

— De Crimble não havia nem rastro, mas a documentação descoberta no barco confirmou a identidade do seu proprietário. Porém, junto ao corrimão eles deparam-se com algo muito mais revelador…

O olhar sombrio que o seu superior lhe deu incitou-o a continuar. Mas sem perder o seu bom humor.

— Embrulhado para presente, chefe. O cadáver da última rapariga desaparecida, Alice Samuels, coberto por plástico e com peso suficiente no topo para evitar que o corpo voltasse a sair à superfície.

— Outra rapariga morta. — Tupler virou a cabeça e reparou num homem que, inclinado sobre o corrimão, não parecia estar no seu melhor. Ainda usava o seu fato de mergulho característico. Achava que eram mais duros, esses caras da Guarda Costeira. Apontou-lhe com o queijo. — Esse foi quem subiu a bordo?

— Não, chefe. É um dos mergulhadores. Ele foi quem deu com Crimble.

— Com Crimble? Embora suspeite do que vai dizer, seria bom se já largasse a informação que tem na manga…

Lisonjeado, O’Leary estava mais do que disposto a revelar as suas cartas.

— Os mergulhadores não estavam à procura dele. Pensaram que, ao aproximar-se a patrulheira, Crimble tinha conseguido fugir sem ser visto. Se o pacote estava pronto para ser atirado borda fora, talvez já havia outros debaixo de água.

— Há?

— Localizaram alguns volumes suspeitos…

— Merda. Pobres raparigas.

— Sem, chefe. Mas acho que isto vai animá-lo.

— E o que é que está esperando para me contar?

— Rhimes, o mergulhador — acenou com a cabeça al homem, — estava a explorar o fundo do mar quando se deparou com Crimble. Embora para ele, no início, fosse apenas um homem afogado.

— E a sua identidade foi verificada?

— Tudo aponta para que seja ele, e que morreu afogado. Saberemos com certeza quando conseguirem tirá-lo da água.

— O que diabo é que significa isso?

— Eh… bem — hesitou o sargento, procurando a melhor maneira de se explicar. — Aí vem o estranho.

— Deixe-se disso agora, Binnie. Conhecemo-nos demasiado bem.

— Bem, como dizia, quando o mergulhador encontrou-o, o corpo parecia querer flutuar até à superfície. Mas algo o impedia.

— Não me fodas que lhe colocaram uns sapatos de cimento!

O’Leary balançou a cabeça. E continuou.

— Rhimes removeu o fundo, tentando descobrir o que mantinha o corpo ancorado. Talvez tivesse sido apanhado nas rochas ou enterrado no lixo. Ansioso por resolver o mistério, achou algo escuro, como plástico, sob os pés de Crimble. Era um saco semelhante ao que estava enrolado à volta de Alicia Samuels no barco. — Olhou para o mergulhador aflito por um momento. Binnie inclinou-se para Tupler e baixou a sua voz em confiança. — Mas este estava rasgado. E um braço saía através da abertura, à mercê das águas.

— Não sabem o que pôde ocorrer — disse O’Leary. — Mas se os mergulhadores ainda não removeram o corpo de Crimble, é porque a mão duma das suas vítimas anterioes, já com mais osso do que carne, tem-no agarrado firmemente pelo tornozelo. E não conseguem que o solte…

Sinopse

A vingança serve-se fria… até mesmo molhada. “Morte sob as águas” é um thriller policial com conotações paranormais. Escrito por FJ Sanz, autor de ficção.


0 comentarios

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Este sitio usa Akismet para reducir el spam. Aprende cómo se procesan los datos de tus comentarios.

Este sitio web utiliza cookies para que usted tenga la mejor experiencia de usuario. Si continúa navegando está dando su consentimiento para la aceptación de las mencionadas cookies y la aceptación de nuestra política de cookies, pinche el enlace para mayor información.plugin cookies

ACEPTAR
Aviso de cookies